ao Deus Desconhecido [Nietzsche]

•Novembro 24, 2009 • Deixe um Comentário

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em Cada momento, Tua voz me pudesse chamar.

Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:

“Ao Deus desconhecido”.

Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.

Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.

Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo.

Eu quero Te conhecer, desconhecido.

Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.

Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti.

[Friedrich Nietzsche]

O melro – Guerra Junqueiro

•Novembro 23, 2009 • Deixe um Comentário

mistério

[...] E mais sublime do que Cristo, quando
Morreu na Cruz, maior do que Catão,
Matou os quatro filhos, trespassando
Quatro vezes o próprio coração!
Soltou, fitando o abade, uma pungente
Gargalhada de lágrima, de dor,
E partiu pelo espaço heroicamente,
Indo cair, já morto, de repente
Num carcavão com silveiras em flor.

E o velho abade, lívido d’espanto,
Exclamou afinal:
“Tudo o que existe é imaculado e é santo!
Há em toda a miséria o mesmo pranto
E em todo o coração há um grito igual.
Deus semeou d’almas o universo todo.
Tudo que o vive ri e canta e chora
Tudo foi feito com o mesmo lodo,
Purificado com a mesma aurora.
Ó mistério sagrado da existência,
Só hoje te adivinho,
Ao ver que a alma tem a mesma essência,
Pela dor, pelo amor, pela inocência,
Quer guarde um berço, quer proteja um ninho!
Só hoje sei que em toda a criatura,
Desde a mais bela até à mais impura,
Ou numa pomba ou numa fera brava,
Deus habita, Deus sonha, Deus murmura!
……………………………………………………
Ah, Deus é bem maior do que eu julgava”
E quedou silencioso. O velho mundo,
Das suas crenças antigas, num momento,
Viu-o sumir exausto, moribundo,
Nos abismos sem fundo
Do temeroso mar do Pensamento.
E chorou e chorou A Igreja, a Crença,
Rude montanha, pavorosa, escura,
Que enchia o globo com a sombra imensa
Dos seus setenta séculos d’altura;
O Himalaia de dogmas triunfantes,
Mais eternos que o bronze e que o granito,
Onde aos profetas Deus falava dantes,
Entre raios e nuvens trovejantes,
Lá dos confins sidérios do infinito;
Esse colosso enorme, em dois instantes
Viu-o tremer, fender-se e desabar
Numa ruína espantosa,
Só de tocar-lhe a asa vaporosa
Duma avezinha trémula, a expirar!
………………………………………….
………………………………………….
E, arremessando a Bíblia, o velho abade
Murmurou:
“Há mais fé e há mais verdade,
Há mais Deus concerteza
Nos cardos secos dum rochedo nu
Que nessa Bíblia antiga Ó Natureza,
A única Bíblia verdadeira és tu!…” [...]

Radiografía contra el desencanto

•Novembro 20, 2009 • Deixe um Comentário

um texto interessante que partilha convosco!

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de Gabriel Mª Otalora

Mi padre solía decir que la vida no es un día de fiesta ni un día de luto, sino un día de lucha, que puede desembocar en una experiencia capaz de hacernos fuertes y más humanos. O en todo lo contrario: convertirnos en una caricatura de lo mejor que pudimos haber sido. (Dicen que no hay papel pequeño cuando un actor es grande).

Instalados en la seguridad de los conocimientos y en otros asideros más materiales, los adultos tenemos propensión a abandonar valores y compromisos en la medida en que el camino deja de ser confortable y seguro. El comienzo del siglo XXI acarrea mucho desencanto, “mi corazón vive por encima de sus posibilidades”, en expresión poética de Antonio Pereira. Ahora existen viejos de treinta años, y personas de setenta que no se sienten mayores. El añorado José Luis Martín Descalzo dibujó hace algunos años una guía que quiero rescatar, porque no ha perdido un ápice de actualidad, centrada en cuando uno se convierte en un viejo de verdad. Según su sabia reflexión, nos avejentamos cuando perdemos una serie de batallas, da igual a qué edad, que él resumía así:

La primera batalla se da en torno al amor a la verdad. Suele ser la primera que se pierde. Uno estaba seguro en sus años juveniles que vivirá con la verdad por delante. Pero pronto descubre que hay caminos más cortos y que la mentira parece rentable y útil. En estos tiempos, parece que “con la verdad, no se va a ninguna parte.”

La segunda batalla tiene lugar en el terreno de la confianza. Se entra en la rueda de la vida creyendo que los hombres son buenos. Si de nadie somos enemigos, ¿cómo alguien quiere serlo de nosotros? Y ahí está ya, esperándonos, el segundo batacazo…

La tercera es más grave, porque ocurre en el mundo de los ideales; uno ya no está seguro de las personas, pero cree aún en las grandes causas de su juventud, en la familia, en tales o cuales ideales políticos… Entonces descubre que el mundo ni es perfecto, ni mide la calidad por las banderas ni por sus seguidores; lo que mide sobretodo es el éxito. ¿Y quién no prefiere una mala causa triunfante a una buena que ha sido desplazada? Es el momento en que un trozo del alma se seca.

La cuarta batalla es la más romántica. Confiamos en la justicia y la santa indignación habla por nosotros. Todavía creemos en la paz. Pensamos que el mundo es recuperable, que el amor y las razones de una lucha por un mundo mejor son suficientes frente a otros intereses. Pero comenzamos a desconfiar de la blandura de unos, de la rigidez de los otros; vemos que se puede dialogar con éstos pero no con aquéllos… hasta que decidimos “imponer” nuestra paz violenta y nuestras “santísimas” coacciones.

Aun quedan algunas ráfagas de entusiasmo, leves esperanzas que rebrotan leyendo un libro o viendo una película. Pero llega un día en que las consideramos meras “ilusiones” poco conectadas a la realidad; nosotros estamos de vuelta y nos explicamos sin ayuda que no debemos engañarnos, que “no hay nada que hacer”, que “el mundo es así” y que el ser humano es triste. Los alegres ahora nos parecen poco menos que insustanciales.

Perdida esta batalla del entusiasmo, a la persona solo le quedan dos caminos. El primero, engañarse creyendo que triunfa a base de taponar con sucedáneos los huecos del alma en los que un día habitó la esperanza. El segundo, rescatar las dosis necesarias de humildad para aceptar las leyes de la vida, que estamos hambrientos de ideales y afectos, vacíos, sin alegría, sin rumbo, sin alma. Será entonces, nos dice Martín Descalzo, cuando el terreno está abonado para recuperar el tiempo perdido en tantas batallas, independientemente de la edad que tenga cada cual.

O oceano separou-me de mim

•Novembro 17, 2009 • Deixe um Comentário

O oceano separou-me de mim

Enquanto me fui esquecendo nos séculos

E eis-me presente

Reunindo em mim o espaço

Condensando o tempo

Na minha história existe o paradoxo do homem disperso.

(Agostinho Neto)

oh as casas

•Novembro 16, 2009 • Deixe um Comentário

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

Ruy Belo
Todos os Poemas
Lisboa, Assírio & Alvim, 2000

[retirado do essejota.net]

Salmo da Testemunha – do outubro missionário

•Outubro 29, 2009 • Deixe um Comentário

[é um texto fantástico, acho que o devia aprtilhar aqui.]

Salmo da Testemunha

É hora de ser Tua testemunha, Senhor Ressuscitado,
de construir todos juntos a civilização do amor,
de fazer do mundo um arco-íris de unidade e de cor.
É hora de anunciar a vida a partir da Tua Vida, que é Vida em abundância,
de gritar aos homens a Tua Salvação, de anunciar que,
o Crucificado Ressuscitou e o mundo tem sabor a Redenção.
É hora de viver na luz e abrir caminhos sem fronteiras,
de darmos as mãos e de fazer uma grande roda ao sol,
de avançar sem medos, que o mundo vive em Ressurreição.
É hora de caminharmos unidos semeando a paz e o amor,
de chamar ao homem irmão, de viver em harmonia,
em laços de fraternidade, de comunhão.
É hora de dizer ao mundo que foi vencida a lei,
e não existe outra lei que a do coração;
de gritar que o pecado foi vencido
e que o homem é livre, do seu temor.
É hora de anunciar que a morte foi vencida,
que a vida é a nova civilização do amor.
É hora de tocar o coração do homem para que
acredite em Teu Evangelho, em Tua Palavra de Amor;
de convidar as gentes para a mesa do pão vivo.
É hora de caminhar olhando para diante, sem vacilar.

É tempo de ser Tua testemunha:
onde o Teu amor está ausente,
onde a liberdade está atada,
onde é necessário o perdão,
onde os olhos estão vendados,
onde existiu a traição,
onde se mata o homem e a criança,
onde a mentira mata a razão,
onde as injustiças doem,
onde o homem que sofre não tem voz,
onde impera a lei do mais forte,
onde o homem se converte em opressor,
onde a vida se fez morte,
onde o dinheiro é a lei do que manda.
É tempo de sermos Tuas Testemunhas
unidos como um só Povo, em Igreja;
de sermos Tuas Testemunhas servindo o humilde e não o dominador,
de testemunharmos Tua Cruz salvadora do mundo,
Tua luz de aurora, Tua Ressurreição.
Cristo, Senhor da História, Senhor de todo o homem.
Cristo, Testemunha do amor do Pai, coração de seu coração.
Cristo, amigo e irmão do homem oprimido.
Cristo, dá-nos a força do Teu Espírito Santo,
do Teu Espírito de Amor,
para que Ele anime nosso compromisso de mudar o mundo,
de uma civilização de morte,
para uma civilização de Amor.

 

•Setembro 28, 2009 • Deixe um Comentário

Junto do mar
Ouvi meu coração palpitar
São olhares ao luar
No areal a derramar.

Quem sabe voar
e Querer a Deus amar
Morre por não procurar
De coração a despoletar.

Por Luanda

•Setembro 6, 2009 • 1 Comentário

Amigos!
Já estou por Luanda desde quinta-feira. Viagei de voo militar desde Lwena.
 Interessante! Sempre espaços para novas experiências.

Nestes dias tenho-me preparado para o regresso a casa e à vida em portugal… certo mesmo.. é que tenho de ir ao dentista… :)

Agora tenho ido até S. Paulo estar com alguns amigos, velhos amigos… meter algumas conversas em dia… e cada vez mais  histórias de um povo que vive com alguns dramas.

» Um amigo… foi denunciado na polícia pelo pai de um colega.. de ter roubado dinheiro, depois de ter feito uma viagem de carro onde eles estavam, e justamente o filho ia com ele. [só para terem uma ideia].

» Outro amigo… neste momento consegiui encontrar a sua irmã… e a preocupação dele neste momento é estar perto da família que “não tem” bem perto dele. Um rapaz com um grande coração.. cuja preocupação é: “não posso deixar perder agora a minha família, se já encontrei a minha irmã.”

Abraço amigos!

Um amor invisível para servir sem limites

•Agosto 29, 2009 • Deixe um Comentário

Um amor invisível para servir sem limites

Para quem o silêncio é fonte de testemunho

Olá amigos!

Durante estes dois meses que me encontro por terras de missão africanas, foram bastantes os desafios e as provações. Talvez tenha sido de todas as experiências a mais exigente a nível emocional, intelectual e espiritual.

De facto, a frase que mais me marcou foi a de Célia Mendez, fundadora das Escravas do Divino Coração: «No Amor de Deus encontrei a forma de servir a todos sem limites». Nela encontrei, também, o conforto para a missão de agora… e para a minha vida.

Há quem não compreenda o valor das palavras nem do silêncio, nem do testemunho nem do invisível.

Há quem ache que tudo o que se faça se deva mostrar… há também quem ache que Deus fará tudo para correr bem… para os catequistas receberem o seu salário, para que os alunos possam ter uma escola para estudar, para que possam conduzir um carro que leve às aldeias, para quem as ideias de algumas pessoas são o auge e a anamnese missionária, …

De facto, deveria acreditar estar enganado… se o estiver corrijam-me.

Mas qual será o testemunho mais fecundo? Uma pergunta avassaladora. Poderíamos todos mover montanhas como o Papa João Paulo II, missionário por excelência… podemos recordar as viagens que fez, os documentos que escreveu, a riqueza da sua palavra… do seu testemunho. Contudo, a imagem que nos marca dele não é nem a saída de um avião, nem a proclamação de um Angelus… mas o silêncio sofredor de quem vive preso ao amor de Cristo. Sim… a evangelização e o testemunho missionário tem como centro de toda a actividade: anunciar Cristo, experimentar e viver no seu amor; um desafio enorme… mas na cruz tudo será confortado!

Aqui… para quem não possa parecer, passei desafiados dias… tentando responder a corações inquietos que acima de tudo precisam de alguém com quem possam falar, estar e desabafar. Tal como eu. Uma vez dissera eu que se pensamos que podemos mudar o mundo, estamos todos enganados, quem tem que mudar somos nós… cada um de nós. O mundo é o que os homens fazem dele. Então, a primeira coisa a mudar é o homem… o trabalho é por aqui… de sensibilização, educação e promoção de todo o valor humano.

A sede do saber, é enorme aqui onde me encontro. Existem jovens ansiosos por saber mais e mais… mas com muitas limitações nem tudo é propício para o seu desenvolvimento. Fiz o que estava ao meu alcance… disponibilizei o meu computador… estive presente silenciosamente em alguns acontecimentos, privilegiei mais o diálogo e menos a acção, ao exemplo de Marta. Revoltei-me em algumas situações, com pessoas que deveriam ser exemplo desse mesmo testemunho, mas fiquei no silêncio de quem aprende e quer aprender mais a identificar-se com o caminho de Cristo:

Ensinai-me e eu escutarei em silêncio,

mostrai-me em que é que eu errei.’

Como são eficazes as palavras verdadeiras!

Mas em que podereis vós censurar-me?

Pretendeis censurar-me por palavras ditas?

Palavras desesperadas leva-as o vento.

[Job 6, 24-26]

Quero apenas dizer que acima de tudo prefiro um amor invisível, cujo serviço não seja proclamado por cantos e louvor para que se consigam ouvir do outro lado da cidade. Só a Cristo isso pertence.

Eu apenas quero reduzir-me ao silêncio de um sorriso, de um olhar, de um toque, de um estar, de um ser… onde o ter é um ter comum, onde o servir é um servir comum.

Abraço amigo!

uma primeira vez para tudo…

•Agosto 16, 2009 • Deixe um Comentário

» Na quinta-feira passada iniciámos o Programa de Rádio «Além das Diferenças», foi muito bem.. a Neusa e o Oseias juntamente com o Josipe… foram espectaculares!!!. Estávamos todos entusiasmados… Eu confesso.. parecia uma barata tonta.. devia ser o mais nervoso… e estava só a dizer ao técnico quando era as músicas… os spot’s… entre outras coisas!!!

» Hoje, pela primeira vez, fiz Celebração da Palavra no Alto Lwena… um desafio… ainda mais aqui… ! Uma outra realidade… e outro contexto… outros exemplos de vida!!! Mas penso que foi bem. O Senhor ajudou-me!!!

» Ontem, estive com a Sara e a Chiara no retiro dos Cooperadores Salesianos em Chicala. Fui a conduzir… por este mato… os caminhos que são longos longos.. e o destino que parece longe longe.. mas foi bom. Os Cooperadores estavam a apreciar bastante.. e ainda fizemos algumas dinâmicas engraçadas com eles.. que fizeram rir bué!!!! Moyo Maria[Avé Maria].

Abraço amigo!