Um amor invisível para servir sem limites
Para quem o silêncio é fonte de testemunho
Olá amigos!
Durante estes dois meses que me encontro por terras de missão africanas, foram bastantes os desafios e as provações. Talvez tenha sido de todas as experiências a mais exigente a nível emocional, intelectual e espiritual.
De facto, a frase que mais me marcou foi a de Célia Mendez, fundadora das Escravas do Divino Coração: «No Amor de Deus encontrei a forma de servir a todos sem limites». Nela encontrei, também, o conforto para a missão de agora… e para a minha vida.
Há quem não compreenda o valor das palavras nem do silêncio, nem do testemunho nem do invisível.
Há quem ache que tudo o que se faça se deva mostrar… há também quem ache que Deus fará tudo para correr bem… para os catequistas receberem o seu salário, para que os alunos possam ter uma escola para estudar, para que possam conduzir um carro que leve às aldeias, para quem as ideias de algumas pessoas são o auge e a anamnese missionária, …
De facto, deveria acreditar estar enganado… se o estiver corrijam-me.
Mas qual será o testemunho mais fecundo? Uma pergunta avassaladora. Poderíamos todos mover montanhas como o Papa João Paulo II, missionário por excelência… podemos recordar as viagens que fez, os documentos que escreveu, a riqueza da sua palavra… do seu testemunho. Contudo, a imagem que nos marca dele não é nem a saída de um avião, nem a proclamação de um Angelus… mas o silêncio sofredor de quem vive preso ao amor de Cristo. Sim… a evangelização e o testemunho missionário tem como centro de toda a actividade: anunciar Cristo, experimentar e viver no seu amor; um desafio enorme… mas na cruz tudo será confortado!
Aqui… para quem não possa parecer, passei desafiados dias… tentando responder a corações inquietos que acima de tudo precisam de alguém com quem possam falar, estar e desabafar. Tal como eu. Uma vez dissera eu que se pensamos que podemos mudar o mundo, estamos todos enganados, quem tem que mudar somos nós… cada um de nós. O mundo é o que os homens fazem dele. Então, a primeira coisa a mudar é o homem… o trabalho é por aqui… de sensibilização, educação e promoção de todo o valor humano.
A sede do saber, é enorme aqui onde me encontro. Existem jovens ansiosos por saber mais e mais… mas com muitas limitações nem tudo é propício para o seu desenvolvimento. Fiz o que estava ao meu alcance… disponibilizei o meu computador… estive presente silenciosamente em alguns acontecimentos, privilegiei mais o diálogo e menos a acção, ao exemplo de Marta. Revoltei-me em algumas situações, com pessoas que deveriam ser exemplo desse mesmo testemunho, mas fiquei no silêncio de quem aprende e quer aprender mais a identificar-se com o caminho de Cristo:
Ensinai-me e eu escutarei em silêncio,
mostrai-me em que é que eu errei.’
Como são eficazes as palavras verdadeiras!
Mas em que podereis vós censurar-me?
Pretendeis censurar-me por palavras ditas?
Palavras desesperadas leva-as o vento.
[Job 6, 24-26]
Quero apenas dizer que acima de tudo prefiro um amor invisível, cujo serviço não seja proclamado por cantos e louvor para que se consigam ouvir do outro lado da cidade. Só a Cristo isso pertence.
Eu apenas quero reduzir-me ao silêncio de um sorriso, de um olhar, de um toque, de um estar, de um ser… onde o ter é um ter comum, onde o servir é um servir comum.
Abraço amigo!
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