Olhai Senhor
Um coração por abrir
Uma vida a surgir.
Olhai Senhor
Tudo canta e exulta
Inestimável alegria criada.
Deus de Surpresas, de Gerard W. Hughes, pp. 32-33.
«Por que razão damos tão pouca atenção à nossa vida interior?
É extraordinário que dêmos tão pouca atenção a esta vida interior, na qual se encontra a chave do nosso comportamento. Parecemos cavaleiros em cima de cavalos bravos. Empinam-se, mergulham dão guinadas. Ignoramos por completo por que razão se comportam dessa maneira [«não sei o que é que me deu. Não sei porque fiz aquilo»], e de repente gasta-se-nos toda a energia e a ingenuidade a tentar não cair da sela abaixo, seguindo pela vida fora penosamente empinados em cima do animal. A resposta mais evidente seria entender e amestrar o cavalo, só que nós somos daquele tipo de cavaleiros que acha essa abordagem um bocado mórbida e pouco científica. Temos a mania de achar que o cavalo tem de ser ignorado e que a cavalgada tem de prosseguir, custe o que custar. Dizem-me que na Armada só aos praças são permitidas emoções: os oficiais estão acima desse tipo de coisas! Até no seio da ordens religiosas circula este conselho: «Não ligues aos sentimentos».
O cavalo é a nossa vida interior: embora seja ele a fonte da direcção que tomamos e a energia que nos abastece para a caminhada pela vida fora, tendemos a ignorá-lo, devido à impossibilidade de medirmos a vida interior em termos quantitativos e à nossa mania de supor que o que move o mundo são os números, e não o amor.
O que és para nós? Luz.
Sem ti, trevas e escuridão.
Este é o meu Filho muito amado
Lembrar singelo,
Que meu Pai és Tu.
Que filho sou eu?
Perante um amor que cresce
Num amor que é todo Dom.

Aquele que desce do céu,
Vem ao nosso encontro.
É Ele o Cordeiro de Deus,
O Filho muito amado.
Deus é Luz,
Não é um deus das trevas
N’Ele não há trevas.
Ele é o Sagrado mais sublime e mais asfixiante,
Ele é a brilhantina que não desaparece.
Como podemos nós negar a Luz?
Não podemos.
Mesmo que não a reconheçamos,
Nós queremos ser da Luz.
Nós queremos permanecer,
Permanecer na Luz.
Cristo permanece,
E não se cansa.
Nós cansamo-nos,
Porque não O amamos.
Este tempo,
Como em outro tempo,
Noutros tempos,
Clamamos pela dignidade, pela vida, pela luz.
Como podemos nós dar testemunho da Luz?
Dando o que recebemos da Luz.
O seu Amor.
É chegada a hora da sua passagem
Onde já não há mais mundo nem festa.
Só há uma passagem
Da finitude à infinitude.
Do mundo para o Pai.
Tudo fez para cumprir a vontade do Pai
E em todas as horas da sua vida, ama-nos.
Sozinho nada fez
E tudo fez no Pai
Assombro de Amor.
(…)